domingo, 6 de abril de 2025

E depois que a dor passar

 desde 2019 meu mundo não capotava tanto: a menos de um mês eu acreditava que teria uma criança, passaria momentos de dificuldade, mas que construiria minha família, que eu teria que acelerar tudo para fazer funcionar, estava disposta para crescer e evoluir, entendia o porque das coisas... por mais turvo algo fazia sentido, todo mundo feliz, até eu fiquei feliz, acredita? eu não. mas foi. 

E do nada não tinha mais nada disso, mas aprendi a confiar no universo e no que deus me reserva, tudo até aqui foi difícil, não teve uma única glória sem um esforço descomunal desde que me lembre, mas mesmo assim as coisas melhoraram muito, quase um salto quântico, por isso confio, e quanto á minha racionalidade eu busquei compreender mais uma vez o porque dos quais e poréns... mas é como se fosse algo maior que isso, enquanto meu corpo grávido continuava a se desenvolver eu surtei esperando descer muito sangue, o medo de precisar de intervenção médica, a ansiedade de ver o short sem fechar e pesquisas sobre antecipar o processo... acho que não será necessário, visto que ando sangrando e sentindo a pior cólica que nada corta, só poderia vir de dia, mas ela quer me torturar em plena madrugada.  É para glorificar de pé igreja (não estou sendo irônica) 

No meio desse turbilhão perdi clientes, meu pai idoso fazendo cirurgia de emergência, desaprendi a trabalhar, me senti fraca, incapaz e muito sozinha. Aqui em casa o distanciamento foi crescendo, a minha expectativa enquanto o que eu esperava de alguém que me amasse foi nula, pelo contrário, senti um certo desprezo pelo meu sofrimento, o que sorrateiramente foi virando a causa de maior angustia e incerteza que foi tomando meu corpo. 

Tá faltando amor próprio aqui, nessa cabecinha avoada imaginou um futuro lindo juntos, conquistando o carro dos sonhos, tendo uma terra perto de um rio, prosperando e saindo da sobrevivência, viver uma vida boa com o apoio mútuo. Eu podia imaginar a gente junto lembrando uma música nada ver e cantando ela inteira e rindo depois, fumando um beck em Amsterdã, mais um chihuahua? uma criança? quis tudo, e infelizmente eu continuo querendo. Falta amor próprio, toda sua linguagem corporal, as atitudes dizem que esse sonho é só meu, e como diz meu amigo Raul: Sonho que se sonha junto é realidade, por isso as coisas não vão virar. Se existe dúvida, existe também uma certeza nesse caso. Eu meio que só queria sentir amor, um abraço, e mesmo verbalizando a distância seguiu aumentando. É duro, mas ele não se importa. 

Tem que ter coragem, e eu vou vencer mais essa, só preciso tomar fôlego e aguentar a série de ondas gigantes que vão quebrar bem na minha cabeça, em algum momento vou achar que não vou conseguir e me afogar. Se separar de quem se ama, com quem imaginou sua vida nunca será fácil, mas eu vou conseguir, e espero que toda dor tenha seu porque e que aprenda muito nesse labirinto. Nestorzinho de moi e poi vai se acostumar, vai ficar chato um tempo, mas estaremos meio assim também... 

Merecemos ser felizes, se perdemos a mão de como fazer isso um para o outro, se a parceria não de trás a calma na alma não é para ser, quando é pra ser é se faz, o amor é uma escolha, tem que querer e fazer dar certo, amor é cultivo, tem que regar e elogiar de vez enquanto rs embora eu tenha amor de sobra, só amor não é suficiente. 

Não era uma carta para voce, mas acabou sendo: Nossa vida juntos foi linda e fui muito feliz ao seu lado, nossas viagens, nossos churrascos, as praias, nosso cachorrinho de amor, eu não me arrependo desse tempo! A gente nunca sabe do amanhã